Campo Lindo


O terreno de implantação pouco mais era do que uma nesga entre casas, quintais e barracos. Dadas as circunstâncias, acordou-se com o cliente: que com esta casa não acrescentaríamos mais ruído à confusão. No entanto, os técnicos municipais ficaram perplexos: onde era afinal de contas o alçado tardoz? Não havia, a coisa estava enterrada aproveitando o declive da colina. Que não poderia ser porque havia que respeitar os alinhamentos. Pois bem, soergueu-se a casa para criar um alçado que fosse alinhável. A mão invisível dos regulamentos escreveu direito por linhas tortas. Do confronto entre a arquitectura e a regulamentação resultou ainda uma outra deformidade: a profundidade proposta para o edifício não era admissível. Assim, partiu-se ao meio a casa e em vez de um único edifício passámos a ter dois, ou seja, um corpo principal e uma extensão funcional no fundo do logradouro, aquilo a que com singeleza o técnico apelidou de anexo. Simplesmente trata-se de um anexo ligado ao edifício principal por uma galeria em betão. Ao processarmos o nosso projecto através da máquina administrativa, esta transformou-o num objecto totalmente outro. Para compensar o cliente plantou-se-lhe um prado no telhado: conforto e estilo de vida urbana no rés-do-chão, vida no campo no primeiro andar.


FICHA TÉCNICA: Designação: Campo Lindo  Ι Código: P0040 Ι Ano: 2016 Ι Local: Porto Ι Arquitectura[Coordenação]: Adriana Floret Ι Arquitectura[Colaboradores]: José Carlos Dias e Hugo Martins  Ι Especialidades: Avelino Matias, Aline Floret e José Lopes  Ι Paisagismo: Neoturf, Lda Ι Fotografia: João Morgado.