PRÉMIO NACIONAL DE REABILITAÇÃO URBANA 2015: 1872 River House / Porta Nobre Premiado

O Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2015, uma organização conjunta da Vida Imobiliária e da Promevi  com o Alto Patrocínio do Governo de Portugal, concedido através da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza e apoiado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi atribuído na categoria destinada a intervenções inferiores a 1.000m² ao projecto «1872 River House» (Porta Nobre) da autoria de Floret -Oficina de Arquitectura.

Este edifício de seis pisos ocupa um lote exíguo de 77m² localizado no Muro dos Bacalhoeiros, Porto, foi sendo edificado ao longo dos séculos. Será de presumir que a primeira edificação terá surgido apenas a partir do momento em que a muralha fernandina perde o seu valor militar, possibilitando a sua apropriação para fins civis como o comércio e a habitação. Os elementos decorativos das varandas (vulgo, “cachorros”) e a configuração dos vãos apontam a data da sua edificação para o século XVIII, embora não seja de excluir outras datas mais remotas. Em 2008 sofreu um grande incêndio que o deixou praticamente destruído, tendo sobrevivido apenas quatro paredes. A sua nova missão, após um processo de reabilitação, será a de albergar um alojamento turístico de qualidade. Características como o passadiço com azulejos decorativos e o facto de encerrar a linha de casario existente sobre o Muro dos Bacalhoeiros, conferem-lhe uma grande visibilidade no contexto do centro histórico. Por esse motivo, no exterior optou-se pela reabilitação de todos elementos integrantes das fachadas e na cobertura principal e por repor o desenho original do telhado em quatro águas, revestindo-o a telha cerâmica, eliminando por isso o frontão e óculo construídos mais recentemente e que consideramos um elemento dissonante. Repusemos o desenho original da cobertura do passadiço (em ferro e revestida a zinco em forma arredondada) e reabilitámos todos os elementos decorativos existentes, nomeadamente, azulejos decorativos e ferragens do passadiço, cantarias nos alçados e os desenhos das caixilharias foram repostos de acordo com as existentes anteriormente ao incêndio do edifício. No interior,
e, uma vez que o prédio se encontrava praticamente vazio, devido ao incêndio ocorrido em 2008, propôs-se um desenho contemporâneo, com alguns apontamentos de elementos mais antigos, que recordam de certa forma a pré-existência. Este edifício, do qual apenas sobreviveram quatro paredes, foi dotado de uma laje de betão armado que nos possibilitou dar resposta às exigências de conforto acústico e térmico dos regulamentos em vigor como também às exigências próprias da nova função do edifício. Não se tratando de uma reabilitação integral, esta intervenção aproveitou o máximo do pré-existente, conciliando materiais e técnicas construtivas tradicionais com materiais e técnicas construtivas contemporâneas. A escada principal é um bom exemplo disso mesmo: apesar de se tratar de uma estrutura de betão com um design claramente contemporâneo, acaba por ocupar um lugar central no prédio, recriando a composição e morfologias tradicionais da casa burguesa portuense. Consideramos este projecto um exemplar de reabilitação para fins turísticos relevante no contexto em que a operação decorreu. A Rua Cimo do Muro dos Bacalhoeiros, situa-se numa zona turística em pleno Centro Histórico do Porto, na zona da Ribeira. Este edifício, sito no primeiro gaveto do casario da Ribeira e por isso em lugar de destaque, esteve ao abandono e em ruínas até à data, devido ao incêndio que sofreu. Do próprio edifício, entretanto reabilitado, apenas restavam quatro paredes compostas pelos seus três alçados e a parede meeira que divide com o prédio contíguo. A intervenção, contida dentro de um lote de escassas dimensões, permitiu a instalação de um serviço de alojamento turístico de qualidade, o qual, por si só, terá contribuído decisivamente para a melhoria da dinâmica do espaço envolvente.logo_PNRU15